
Povos indígenas do Brasil: sistemas de cuidado em saúde
Atualmente, 391 povos indígenas, falantes de 295 línguas, vivem na Amazônia, no Cerrado, na Caatinga, na Mata Atlântica, no Pampa e no Pantanal. Primeiros habitantes do país, constituem sociedades com línguas, cosmologias, conhecimentos e formas próprias de organização social, cultural, territorial, econômica e política.
Os povos indígenas do Brasil possuem sistemas próprios de conhecimento sobre saúde, doença, cura e cuidado. Esses conhecimentos consideram as relações entre corpo, território, ambiente e vida comunitária e apresentam diferentes concepções de saúde, que não se limitam à abordagem biomédica.
Especialistas indígenas em ciências da saúde desempenham papéis fundamentais nesses sistemas. Seus conhecimentos são transmitidos entre gerações e orientam formas de cuidado específicas de cada povo.
Plantas, raízes, folhas, sementes, alimentos, cantos, instrumentos musicais e objetos de autoridade integram essas formas de conhecimento e cuidado. Reconhecer essa diversidade é fundamental para respeitar a autonomia dos povos indígenas e fortalecer políticas públicas de saúde que considerem seus conhecimentos, suas necessidades e suas formas próprias de cuidar.
Como funciona a rede de atenção à saúde indígena
A organização da Saúde Indígena considera as características geográficas, epidemiológicas e socioculturais dos territórios e as necessidades de cada povo. No Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS), diferentes estruturas organizam a atenção primária, o acompanhamento das equipes, o acolhimento durante tratamentos fora das comunidades e o acesso a serviços especializados da Rede de Atenção à Saúde do SUS.
A Secretaria de Saúde Indígena (SESAI), do Ministério da Saúde, coordena o SasiSUS e a implementação da Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI). Os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) são as unidades territoriais responsáveis pela organização dos serviços de saúde e das ações de saneamento nos territórios sob sua abrangência.
Conheça as principais estruturas que compõem essa rede de cuidado:
DSEI — Distrito Sanitário Especial Indígena
Unidade de organização territorial responsável pelo planejamento, pela gestão e pela coordenação das ações e dos serviços de Saúde Indígena. O Brasil conta com 34 DSEIs, organizados conforme características geográficas, epidemiológicas, populacionais e socioculturais.
UBSI — Unidade Básica de Saúde Indígena
Estabelecimento de saúde localizado no território indígena, destinado à realização de ações de atenção primária e saneamento, conforme as necessidades das comunidades atendidas.
Polo Base
Unidade de referência para a organização técnica e administrativa do trabalho das Equipes Multiprofissionais de Saúde Indígena (EMSI). Articula o atendimento às comunidades e as atividades desenvolvidas pelas equipes em sua área de abrangência.
CASAI — Casa de Saúde Indígena
Estrutura destinada ao acolhimento e ao acompanhamento de pessoas indígenas encaminhadas para atendimento na rede do SUS fora de suas comunidades, bem como de seus acompanhantes, quando necessário. Oferece suporte durante o período de tratamento e contribui para a continuidade do cuidado. Até 2026, o SasiSUS conta com 70 CASAIs.
Desde 1º de agosto de 2025, a AgSUS responde pela força de trabalho das duas CASAI nacionais, em Brasília e em São Paulo, que recebem pacientes de todo o país. Veja os processos seletivos da CASAI Brasília e da CASAI São Paulo.
CAPASI — Casa de Passagem de Saúde Indígena
Estrutura destinada ao acolhimento temporário de pessoas indígenas e acompanhantes durante deslocamentos para atendimento especializado ou tratamentos de curta duração, conforme a organização da rede de saúde.
PASI — Ponto de Atendimento à Saúde Indígena
Estrutura voltada à ampliação do acesso à atenção primária em comunidades de pequeno porte ou localizadas em áreas remotas que não dispõem de UBSI. Os atendimentos são programados e realizados por profissionais vinculados às equipes de saúde.
CRSI — Centro de Referência em Saúde Indígena
Unidade destinada à prestação de cuidados especializados, ao atendimento de urgências e emergências e às ações de vigilância em saúde. Também atua na estabilização clínica e na articulação com outros serviços do SUS, conforme as necessidades do território.
CAF — Central de Abastecimento Farmacêutico
Estrutura responsável pelo recebimento, armazenamento, controle e distribuição de medicamentos e insumos estratégicos destinados aos serviços de saúde.
Casa das Medicinas Indígenas
Espaço destinado à valorização e ao fortalecimento das ciências indígenas e das tecnologias indígenas de cuidado em saúde, com reconhecimento dos conhecimentos, das práticas e dos sistemas de cuidado de cada povo e promoção do diálogo intercultural.
Os 34 DSEIs
Os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) são a principal estrutura territorial do SasiSUS. Sua organização não segue apenas os limites de municípios e estados: também considera aspectos geográficos, populacionais, sociais e culturais.
Cada DSEI pode reunir diferentes povos, línguas, comunidades, condições de acesso e formas de circulação. Por isso, os distritos não representam realidades homogêneas.

Norte (19 DSEIs)
- 2. Altamira: sede em Altamira (PA) · vagas
- 3. Alto Rio Juruá: sede em Cruzeiro do Sul (AC) · vagas
- 4. Alto Rio Negro: sede em São Gabriel da Cachoeira (AM) · vagas
- 5. Alto Rio Purus: sede em Rio Branco (AC) · vagas
- 6. Alto Rio Solimões: sede em Tabatinga (AM) · vagas
- 7. Amapá e Norte do Pará: sede em Macapá (AP) · vagas
- 12. Guamá-Tocantins: sede em Belém (PA) · vagas
- 15. Kaiapó do Pará: sede em Redenção (PA) · vagas
- 16. Leste de Roraima: sede em Boa Vista (RR) · vagas
- 18. Manaus: sede em Manaus (AM) · vagas
- 21. Médio Rio Purus: sede em Lábrea (AM) · vagas
- 22. Médio Rio Solimões e Afluentes: sede em Tefé (AM) · vagas
- 24. Parintins: sede em Parintins (AM) · vagas
- 26. Porto Velho: sede em Porto Velho (RO) · vagas
- 28. Rio Tapajós: sede em Itaituba (PA) · vagas
- 29. Tocantins: sede em Palmas (TO) · vagas
- 30. Vale do Javari: sede em Atalaia do Norte (AM) · vagas
- 31. Vilhena: sede em Cacoal (RO) · vagas
- 34. Yanomami: sede em Boa Vista (RR) · vagas
Nordeste (6 DSEIs)
Centro-Oeste (6 DSEIs)
Sudeste (1 DSEI)
- 23. Minas Gerais e Espírito Santo: sede em Governador Valadares (MG) · vagas

Atenção especializada à saúde indígena
Desde agosto de 2025, o programa Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde, contempla ações de atenção especializada nos territórios indígenas. Na AgSUS, essa frente é conduzida pela Coordenação de Atenção Especializada à Saúde Indígena, vinculada à Unidade de Saúde Indígena (USI), responsável pela operacionalização das ações em articulação com os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs).
O trabalho reúne instituições parceiras, como a Associação Médicos da Floresta, o Hospital Israelita Albert Einstein, os Expedicionários da Saúde, o Projeto Aldeia em Foco e a ONG Zoé. As ações levam consultas com especialistas, exames, atendimentos odontológicos e procedimentos às comunidades indígenas, conforme as necessidades identificadas em cada território.
A atuação da AgSUS inclui a mobilização de equipes multiprofissionais e a organização dos equipamentos, insumos, medicamentos e da logística necessária aos atendimentos. O planejamento considera as demandas das equipes de saúde e as condições de deslocamento e atendimento em cada localidade.
Até novembro de 2026, foram realizados mais de 30 mutirões de atenção especializada, com mais de 94 mil atendimentos e procedimentos em 2025 e 2026. As ações chegaram a territórios indígenas e localidades como Itamarati, São Gabriel da Cachoeira, Rio Arapiuns, Pari Cachoeira, Altamira, Oriximiná, Lábrea, territórios dos povos Korubo e Munduruku, Caucaia, Itarema, Crateús, Terra Indígena Pernambuco, Terra Indígena Zo’é, Amapá, norte do Pará, Parintins e Humaitá. Na Terra Indígena Yanomami, os mutirões ocorreram em Maturacá, Marauiá e Surucucu, além de ações nas Casas de Saúde Indígena (CASAI) de Macapá e Yanomami e Ye'kwana.
Os mutirões ampliam o acesso a consultas, exames e procedimentos especializados em regiões onde as distâncias e as condições de deslocamento dificultam a chegada aos serviços. Essas ações complementam a assistência permanente do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS) e fortalecem a articulação entre os serviços de saúde nos territórios.
Mutirões recentes
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