Saúde Indígena

Em região de difícil acesso, mutirão do SUS leva atendimento oftalmológico a indígenas Munduruku

Publicado20 de maio de 2026
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Indígenas atendidos pelo DSEI Rio Tapajós recebem consultas, exames especializados e óculos de grau diretamente na Aldeia Posto Munduruku (PA)

Entre os procedimentos estão exames de acuidade visual, tonometria, retinografia e biomicroscopia de fundo de olho.
Entre os procedimentos estão exames de acuidade visual, tonometria, retinografia e biomicroscopia de fundo de olho.

Cerca de 300 indígenas do povo Munduruku recebem, nesta semana, atendimento oftalmológico especializado diretamente na Aldeia Posto Munduruku, no sudoeste do Pará. O mutirão de atenção especializada integra o Programa Agora Tem Especialistas, iniciativa do Ministério da Saúde em parceria com a AgSUS e o projeto Aldeia em Foco.

A ação segue até o dia 22 de maio e prevê consultas em oftalmologia, exames especializados e entrega de óculos de grau para indígenas do Posto Munduruku e de comunidades adjacentes. A iniciativa amplia o acesso à atenção especializada em uma região de grandes distâncias, desafios logísticos e acesso predominantemente fluvial.

O território Munduruku possui mais de 231 mil km² de extensão e 195 aldeias assistidas pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Rio Tapajós. As longas distâncias e a complexidade do deslocamento na região ainda representam um desafio para as equipes de saúde e impactam diretamente a continuidade do cuidado especializado.

O deslocamento das equipes até a Aldeia Posto Munduruku começou em Santarém (PA), em um trajeto aéreo de quase três horas até a comunidade Missões. De lá, a viagem seguiu por cerca de duas horas de barco até o local onde os atendimentos são realizados.

Atendimento especializado no território 

Entre os procedimentos estão exames de acuidade visual, tonometria, retinografia e biomicroscopia de fundo de olho. A programação inclui ainda a capacitação de profissionais das Equipes Multidisciplinares de Saúde Indígena (EMSI) para aplicação de testes de acuidade visual e o fortalecimento da atuação dos Agentes Indígenas de Saúde (AIS) e Agentes Indígenas de Saneamento (AISAN).

Nas consultas, Agentes Indígenas de Saúde também atuam como intérpretes e fazem a mediação entre as equipes de saúde e os pacientes, respeitando os modos de comunicação e as especificidades culturais do povo Munduruku. A atuação contribui para que as orientações médicas cheguem às comunidades de forma mais acessível.

Ação interinstitucional 

Além dos atendimentos oftalmológicos, a ação reúne diferentes frentes de cuidado, proteção social e garantia de direitos no território. As instituições parceiras desenvolvem ações de apoio institucional, emissão de documentos, orientações jurídicas e articulação comunitária voltadas às comunidades indígenas atendidas.

A iniciativa mobiliza uma atuação intersetorial entre o Ministério da Saúde, a AgSUS, o Aldeia em Foco, o WWF-Brasil, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas, o Ministério dos Povos Indígenas, a Defensoria Pública da União, a Polícia Civil e a Fundação Oswaldo Cruz, que atuam de forma integrada para ampliar o acesso das comunidades indígenas a políticas públicas e serviços essenciais no território.