Saúde Indígena

Direitos e participação social

Os marcos da saúde indígena no Brasil, o Contrato de Gestão que orienta a AgSUS e as instâncias em que os povos indígenas participam das decisões.

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Marcos da saúde indígena

Os direitos dos povos indígenas e a organização da Saúde Indígena no Brasil resultam de décadas de mobilização, reivindicação e participação política dos próprios povos. A Constituição Federal de 1988 representou um marco ao reconhecer, no artigo 231, as organizações sociais, os costumes, as línguas, as crenças e as tradições indígenas. Também estabeleceu, no artigo 196, a saúde como direito de todos e dever do Estado.

Em 1999, a Lei nº 9.836, conhecida como Lei Arouca, instituiu o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS) no âmbito do SUS, com uma organização específica para atender aos povos indígenas e garantir a participação indígena no planejamento e no acompanhamento das ações. Em 2002, foi instituída a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI), que estabeleceu diretrizes para uma atenção integral e diferenciada, com respeito às especificidades socioculturais e aos conhecimentos de cada povo.

Outro marco é a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em vigor no Brasil desde 2003, que estabelece garantias relativas aos direitos dos povos indígenas e tribais, incluindo a participação nas decisões que os afetam e a organização de serviços de saúde adequados às suas realidades. Em 2010, a criação da Secretaria de Saúde Indígena (SESAI), no Ministério da Saúde, marcou uma nova etapa na gestão federal do SasiSUS.

De 1910 a 2010
  1. 1910
    Serviço de Proteção ao índio

    O Serviço de Proteção aos Índios (SPI) torna-se a primeira estrutura federal da política indigenista republicana. Vinculado ao Ministério da Agricultura, impõe tutela, nacionalização e integração, marcadas por violência e coerção.

  2. 1967
    Criação da FUNAI

    Extinto o SPI, é criada a Fundação Nacional do Índio (Funai), vinculada ao Ministério do Interior, responsável pela política indigenista e pela assistência à saúde. Atualmente, chama-se Fundação Nacional dos Povos Indígenas.

  3. 1986
    Conferência Nacional de Proteção à Saúde

    A 1ª Conferência Nacional de Proteção à Saúde do Índio inaugura a discussão nacional sobre saúde indígena e propõe sua gestão pelo Ministério da Saúde.

  4. 1988
    Constituição Federal

    A Constituição Federal reconhece os direitos dos povos indígenas e estabelece a saúde como direito de todos e dever do Estado, criando as bases do SUS.

  5. 1990
    Criação do SUS

    O SUS é regulamentado e estrutura uma rede pública universal e integral, com participação social. Movimentos indígenas reivindicam uma atenção diferenciada à saúde.

  6. 1991
    Funasa

    A gestão da saúde indígena passa ao Ministério da Saúde, por meio da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) passam a organizar territorialmente a atenção. No mesmo ano, é criado o DSEI Yanomami.

  7. 1993
    2ª Conferência Nacional de Saúde para Povos Indígenas

    A 2ª Conferência Nacional de Saúde para os Povos Indígenas define bases para um modelo de atenção diferenciada, territorial e com participação indígena.

  8. 1999
    Criação do SasiSUS

    É criado o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS), organizado em 34 DSEIs. Conselhos Locais e Distritais fortalecem a participação indígena na gestão.

  9. 2002
    PNASPI

    A Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI) consolida diretrizes para uma atenção diferenciada e territorializada, articulada ao SasiSUS e aos sistemas próprios de cuidado.

  10. 2010
    Criação da SESAI

    É criada a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), no Ministério da Saúde, em resposta a uma reivindicação histórica do movimento indígena por uma gestão específica.

Participação e controle social

Salão com dezenas de pessoas indígenas sentadas, muitas de camiseta lilás, de braços erguidos; em primeiro plano, de costas, um homem também ergue o braço.
Reunião com indígenas no DSEI Vale do Javari (AM). Foto: Acervo/AgSUS

A participação indígena é fundamental para o planejamento, o acompanhamento e a avaliação das políticas de saúde.

Os Conselhos Locais de Saúde Indígena (CLSIs) atuam junto às comunidades. Os Conselhos Distritais de Saúde Indígena (CONDISIs) acompanham as ações em cada DSEI. Já o Fórum de Presidentes dos CONDISIs promove a articulação em âmbito nacional.

Essas instâncias reúnem representantes indígenas, trabalhadores, gestores e prestadores de serviços. Entre suas atribuições estão acompanhar a aplicação dos recursos, discutir os serviços prestados e participar da elaboração dos planos distritais.

Câmara Técnica Temática de Controle Social Indígena

Criada pela AgSUS em 2025, a Câmara Técnica Temática de Controle Social Indígena é uma instância consultiva e propositiva.

Entre suas atribuições estão:

  • assessorar tecnicamente o Conselho Deliberativo da AgSUS;

  • produzir estudos e análises;

  • propor diretrizes e boas práticas;

  • elaborar orientações técnicas;

  • contribuir para decisões estratégicas da Agência.

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Contrato de Gestão

O Contrato de Gestão estabelece as responsabilidades da AgSUS e do Ministério da Saúde, assim como os programas, metas e planos de ação que orientam a atuação da Agência.

O documento também define compromissos legais, éticos, de integridade e de transparência na aplicação dos recursos públicos. A parceria abrange três áreas: Atenção Primária, Atenção Especializada e Saúde Indígena.

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Normas e fontes