Saúde Indígena

Inovação e tecnologias em saúde

Equipamentos e serviços que ampliam o acesso ao diagnóstico, à atenção especializada e ao atendimento de urgência e emergência nos territórios indígenas.

Quando uma pessoa precisa fazer um exame, nem sempre o atendimento está perto de casa. Em regiões de difícil acesso, o deslocamento até um centro urbano pode ser longo e complexo. Por isso, levar equipamentos e serviços de diagnóstico aos territórios indígenas faz diferença no cuidado e no acesso à saúde.

A AgSUS atua na incorporação de tecnologias e soluções que ajudam a aproximar os serviços de quem precisa deles. Equipamentos portáteis permitem realizar ultrassonografias, exames de raio-X, eletrocardiogramas (ECG), testes rápidos e análises de imagens mais perto do local de atendimento. A tecnologia Point of Care, por exemplo, permite realizar exames e obter resultados em poucos minutos.

No DSEI Yanomami, essa tecnologia está presente em cinco pontos: Surucucu, Auaris, Missão Catrimani, Maturacá e CASAI Yanomami. Os equipamentos realizam exames de bioquímica e hematologia no próprio local de atendimento, com resultados em até 12 minutos. Isso permite que as equipes de saúde tenham informações importantes para orientar o cuidado sem depender, em todos os casos, do envio de amostras para outros locais.

Outras iniciativas também contribuem para aproximar o atendimento das pessoas, como o SAMU 192 Indígena e o Centro de Referência em Saúde Indígena (CRSI), em Surucucu, na Terra Indígena Yanomami.

Prédios térreos de paredes brancas e faixa vermelha do Centro de Referência em Saúde Indígena, sob céu azul, numa clareira no território Yanomami.

Estrutura de saúde em Surucucu

A AgSUS viabilizou equipamentos e materiais para o Centro de Referência em Saúde Indígena (CRSI), em Surucucu, no território Yanomami, em Alto Alegre (RR).

Foram adquiridos mais de 200 itens, entre eles aparelhos de raio-X, equipamentos odontológicos, câmaras para conservação de vacinas, mesas cirúrgicas, móveis e equipamentos de informática.

O Centro amplia a capacidade de atendimento especializado e oferece suporte às equipes que trabalham em uma região de difícil acesso.

Centro de Referência em Saúde Indígena em Surucucu, no território Yanomami, em setembro de 2025. Foto: João Risi/MS

SAMU 192 Indígena

Profissionais de uniforme azul-marinho do SAMU 192, de braços cruzados, diante de uma ambulância com a inscrição SAMU 192.
Equipe do SAMU 192 Indígena na Aldeia Jaguapiru, em Dourados (MS), em agosto de 2025. Foto: João Risi/MS

Em agosto de 2025, o Ministério da Saúde inaugurou o primeiro SAMU 192 Indígena do país, na Aldeia Jaguapiru, em Dourados (MS). A inauguração foi em 9 de agosto, Dia Internacional dos Povos Indígenas.

O serviço funciona 24 horas por dia e pode atender cerca de 25 mil indígenas. A AgSUS contratou 14 profissionais para a equipe, entre técnicos de enfermagem, enfermeiros e condutores-socorristas, e responde também pelos equipamentos de proteção e pelos exames ocupacionais da equipe, no âmbito do DSEI Mato Grosso do Sul.

Vários integrantes são indígenas e falam guarani, o que facilita a comunicação e contribui para um atendimento culturalmente adequado. Com uma ambulância destinada ao território, o tempo médio de espera foi reduzido pela metade.

Diagnóstico no próprio território

Profissional de saúde, de luvas, usa uma pipeta sobre tubos de coleta, numa sala com prateleiras de insumos.
Exame com equipamento portátil no DSEI Yanomami, em maio de 2025. Foto: Acervo/AgSUS

A tecnologia de diagnóstico portátil, conhecida como point-of-care, oferece exames rápidos e atendimento especializado para os territórios indígenas e regiões remotas do país.

Entre as tecnologias utilizadas estão:

  • aparelhos portáteis de raio-X;
  • ultrassom;
  • eletrocardiograma;
  • leitores de testes rápidos;
  • ferramentas de apoio à análise de imagens.

Leves e alimentados por baterias, esses equipamentos podem ser transportados para regiões sem fornecimento contínuo de energia. Quando há conexão disponível, os resultados também podem ser compartilhados com especialistas a distância.

As tecnologias já são utilizadas em territórios como o Yanomami e o Zo’é. Além de adquirir os equipamentos, a AgSUS capacita profissionais para o uso das ferramentas e apoia a organização dos espaços de atendimento.

No território Yanomami

Os equipamentos portáteis de diagnóstico fazem exames de sangue no próprio território, sem que o paciente precise viajar: bioquímica, como glicose, colesterol, creatinina e ureia, e hemograma.

Como funciona

  1. A equipe coleta uma amostra de sangue capilar.

  2. O equipamento digitaliza e processa a amostra, com apoio de inteligência artificial.

  3. Um profissional confere o resultado, e o laudo é liberado na nuvem, com cópia impressa.

O diagnóstico rápido evita remoções para os centros urbanos, dá mais autonomia às equipes locais e respeita o modo de vida dos Yanomami, povo de recente contato.

O território conta ainda com salas de suporte e observação clínica, equipadas também para pacientes críticos.

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