Saúde Indígena

AgSUS e Ministério da Saúde realizam mais de 30 mutirões do Programa Agora Tem Especialistas em territórios indígenas

Publicado3 de novembro de 2026
ImagensAcervo/AgSUS
Tempo de leitura4 min

Iniciativa amplia a atenção especializada do SUS nos territórios indígenas, com consultas, exames e procedimentos mais próximos das comunidades. Confira as próximas ações!

Equipes da AgSUS, da Secretaria de Saúde Indígena e de organizações parceiras no mutirão no território Enawenê Nawê (DSEI Cuiabá, MT).
Equipes da AgSUS, da Secretaria de Saúde Indígena e de organizações parceiras no mutirão no território Enawenê Nawê (DSEI Cuiabá, MT).

A atenção especializada do SUS chega cada vez mais perto das comunidades indígenas. Por meio do Programa Agora Tem Especialistas, o Ministério da Saúde e a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) realizam mutirões que levam consultas, exames e procedimentos para dentro dos territórios, aproximando os serviços de saúde da realidade de cada povo.

Em 31 expedições realizadas em 2025 e 2026, foram atendidas 14.825 pessoas e realizados 79.662 procedimentos. A iniciativa representa um avanço na organização da assistência à saúde indígena ao ampliar a realização de serviços especializados nos próprios territórios, reduzindo a necessidade de deslocamentos para centros urbanos em busca de consultas e exames.

Essa mudança tem impacto direto na vida das comunidades. Além de aproximar o atendimento das pessoas, permite que indígenas recebam cuidados de saúde sem precisar se afastar por longos períodos de suas famílias, comunidades e atividades cotidianas. Também contribui para ampliar o acesso a diagnósticos, tratamentos e acompanhamento especializado, respeitando as particularidades de cada território.

Como funcionam os mutirões

Os mutirões integram as ações do Programa Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde, voltadas à ampliação da atenção especializada nos territórios indígenas. A iniciativa é desenvolvida por meio de Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) com organizações parceiras, entre elas a Associação Médicos da Floresta (AMDAF), o Hospital Israelita Albert Einstein, Associação Expedicionários da Saúde (EDS), a ONG ZOÉ e o Projeto Aldeia em Foco.

Os serviços são definidos de acordo com as demandas identificadas em cada território e podem incluir consultas em especialidades como pediatria, ginecologia e obstetrícia, clínica médica, infectologia e oftalmologia. Também são realizados atendimentos odontológicos, exames laboratoriais e de imagem, além de outros procedimentos.

Para viabilizar as ações, a estrutura necessária é organizada nos próprios territórios, em articulação com os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), unidades gestoras descentralizadas do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS), vinculado à Secretaria de Saúde Indígena (SESAI) do Ministério da Saúde.

O gestor executivo da Unidade de Saúde Indígena da AgSUS, Edson Oliveira Pereira, explica que a organização de cada mutirão começa pelo levantamento das demandas junto aos DSEIs e às equipes que atuam nos territórios.

“A partir desse diagnóstico, as solicitações são encaminhadas à AgSUS, responsável pela organização e operacionalização das ações no âmbito de sua atuação, incluindo a mobilização das equipes multiprofissionais, a disponibilização de equipamentos, insumos e medicamentos, a organização dos fluxos de atendimento e a logística necessária para viabilizar a chegada dos profissionais às comunidades”, explica.

Voluntária de camiseta amarela coloca uma pulseira de identificação no braço de um paciente
Recepção do mutirão: cada paciente recebe uma pulseira de identificação antes do atendimento.

Atenção especializada mais perto das comunidades

Historicamente, o acesso a consultas, exames e procedimentos especializados pode exigir deslocamentos dos territórios indígenas para municípios e centros urbanos. As distâncias, os trajetos por rios ou aeronaves e a disponibilidade de serviços são fatores que interferem na continuidade do cuidado e na realização dos atendimentos.

Com o Programa Agora Tem Especialistas, essa lógica começa a mudar. Em vez de depender exclusivamente do deslocamento dos pacientes até os serviços especializados, as equipes, os equipamentos e a estrutura de atendimento são mobilizados para realizar parte desses procedimentos dentro dos territórios indígenas.

Profissional de camiseta verde-limão faz exame de ultrassonografia em paciente deitado na maca
Exame de ultrassonografia feito no próprio território, por profissional da Associação Médicos da Floresta.

A mudança representa mais do que a aproximação física dos serviços. Significa reduzir o tempo e os custos envolvidos nos deslocamentos, diminuir o afastamento das famílias e das comunidades e ampliar as possibilidades de diagnóstico e tratamento. Também favorece a articulação entre a atenção especializada e o trabalho permanente das equipes de Saúde Indígena, que conhecem as necessidades e as particularidades de cada território.

O planejamento das ações considera a interculturalidade, as línguas, os modos de vida e as formas próprias de organização de cada povo, para que a assistência em saúde respeite as realidades locais. “Os mutirões não substituem a assistência permanente oferecida pelo SUS, nem o trabalho cotidiano das equipes de saúde indígena. Eles fortalecem essa estrutura, ajudando a reduzir vazios assistenciais, ampliar a resolutividade dos serviços e aproximar a atenção especializada das populações que mais enfrentam dificuldades de acesso”, destaca Edson.

Dados dos mutirões

31
expedições
em 2025 e 2026
14.825
pessoas atendidas
79.662
procedimentos realizados

Entre 26 de outubro e 2 de novembro, o Programa Agora Tem Especialistas realizou um mutirão no território Enawenê Nawê, na área de abrangência do DSEI Cuiabá, em Mato Grosso. A ação contemplou principalmente as aldeias Dolowikwa e Kotakowinakwa, além de atendimentos no município de Juína, no noroeste do estado.

O DSEI Cuiabá abrange 23 municípios e uma área de 37.929,80 km². A população indígena atendida pelo distrito é de 9.971 pessoas, pertencentes a dez povos, distribuídas em 239 aldeias. A estrutura permanente de assistência conta com 34 Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI) e quatro Casas de Saúde Indígena (CASAI), que oferecem acolhimento, hospedagem, alimentação e suporte logístico aos indígenas em tratamento de saúde e seus acompanhantes.

No território Enawenê Nawê, o mutirão reuniu diferentes especialidades e serviços de saúde para ampliar a realização de consultas, exames e procedimentos mais perto das comunidades. A mobilização da estrutura e dos profissionais possibilitou que os atendimentos ocorressem no território, evitando que todas as pessoas precisassem se deslocar para outros municípios em busca desses serviços.

Atendimentos realizados durante o mutirão

500
Consultas de oftalmologia
200
Consultas de pediatria
67
Consultas de ginecologia e obstetrícia
200
Consultas de clínica médica
45
Consultas de odontologia
100
Exames de ultrassonografia
90
Exames laboratoriais
1.000
Exames oftalmológicos
66
Óculos dispensados

Próximos mutirões da saúde indígena

Até o fim de 2026, estão previstas outras seis ações do Programa Agora Tem Especialistas em territórios indígenas. Confira o cronograma:

Período

Local

3 a 8 de novembro

Manaus (CASAI Manaus)

13 a 22 de novembro

Manaus (Baixo Maeci-Pirahã)

25 a 30 de novembro

Alagoas (Polo Base Terra Nova)

11 a 16 de dezembro

Yanomami (CASAI Cirúrgica)

11 a 20 de dezembro

Alto Rio Negro (Pari Cachoeira)

12 a 23 de dezembro

Mato Grosso do Sul (Amambai)

A expectativa para os próximos mutirões é fortalecer e ampliar as ações do Programa Agora Tem Especialistas voltadas à saúde indígena, avançando na capacidade de atendimento e no alcance da atenção especializada nos territórios. Para isso, busca-se ampliar as equipes multiprofissionais, possibilitando atender a um número maior de comunidades indígenas e contemplar uma diversidade maior de necessidades e especialidades em saúde.

Edson Oliveira PereiraGestor Executivo da Unidade de Saúde Indígena da AgSUS